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Estúdio|Isadora Mangueira, do R7*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Talita Motta Beneli, doutoranda em ecologia, enfrenta dificuldades financeiras e burocráticas para realizar pesquisa em biologia marinha no Brasil.
  • Pesquisadores brasileiros frequentemente precisam financiar seus próprios projetos devido à escassez de recursos e apoio governamental limitado.
  • A falta de reconhecimento e direitos trabalhistas para pós-graduandos no Brasil é uma questão crítica, com lutas históricas por inclusão previdenciária ainda em andamento.
  • Apesar dos desafios, iniciativas como o Profix e o Aurora buscam incentivar a permanência de doutores no Brasil, mas o investimento em ciência ainda é insuficiente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Talita Motta Beneli se apaixonou pelo mar ainda na infância Reprodução/Sergio R Floeter

A memória da água era afetiva para a doutoranda em ecologia Talita Motta Beneli. Nascida no Rio de Janeiro, ela passou o início da infância na praia. Aos 3 anos, já fazia aulas de natação, prática que a acompanhou até o dia em que sua família decidiu se mudar para o interior do Paraná. “Eu sempre tive essa ânsia de voltar, de querer estar perto disso”, conta, em entrevista ao R7.

Na busca por se reconectar com essas memórias, anos mais tarde, ela decidiu seguir carreira no ramo da biologia marinha, especialidade que ainda não era muito estudada na região. Na faculdade, teve a oportunidade de fazer um intercâmbio para a Austrália por meio do programa Ciências sem Fronteiras. Foi lá que conheceu o mar de verdade.


Lá, eu tive contato com recifes de corais, disciplinas relacionadas à biologia marinha, e me apaixonei. Aí sim, meus olhos brilharam e falaram: ‘É isso aqui que eu quero para minha vida’.

Talita Motta Beneli, doutoranda em ecologia

Mas, de volta ao Brasil, Talita descobriria a realidade daqueles que se dedicam integralmente à pesquisa. Mesmo assim, manteve vivo o sonho de estudar a função de peixes recifais, seu impacto no ecossistema e a influência das mudanças climáticas. Para isso, recorreu a uma vaquinha online.

Com bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ela foi aprovada para passar um semestre na Austrália, onde poderá coletar dados importantes para sua pesquisa. No entanto, a exigência de um visto de última hora colocou novamente seu sonho em jogo, já que teria de desembolsar a bagatela de R$ 8 mil para emitir o documento por uma agência privada.


“Se eu não conseguisse essa grana, eu ia ter que abrir mão. Eu estava bem triste, estava vendo meu sonho por um triz”, diz. Depois de muitas idas e vindas, a pesquisadora conquistou o apoio do público e conseguiu levantar o valor necessário para dar andamento ao doutorado.

Muitos estudantes entram na graduação ainda com uma visão romantizada do mundo acadêmico. É, basicamente, aquela ideia do cientista que faz experimentos sofisticados em um laboratório de primeira, do teórico que pode se debruçar por horas a fio em uma tese ou ainda do intelectual que sai observando seu objeto de estudo, elaborando hipóteses e fazendo grandes descobertas.


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Os poucos que chegam a um nível de pós-graduação — de acordo com o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 6,2% da população — veem que, sim, é possível sonhar em fazer ciência no Brasil. Mas, antes, é preciso enfrentar uma série de obstáculos que deixam alguns pelo caminho e colocam o país na retaguarda da formação de mestres e doutores.

Ainda que exista um grande volume de estudos acadêmicos, quando comparado a nações com economias semelhantes, o país ocupa a 21ª posição na publicação de artigos científicos, de acordo com a revista Nature. E a única razão pela qual o número de pós-graduados ainda supera os 13 milhões em uma população de 213 milhões se deve à ampla oferta de especializações lato sensu, mais acessíveis, oferecidas inclusive em modalidade EAD e voltadas às práticas do mercado de trabalho.

Já os doutorados, campo que concentra a produção científica mais avançada, representam menos de 0,3% dos brasileiros. A título de comparação, a média da quantidade de doutores nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) — que reúne desde economias desenvolvidas, como Alemanha, Estados Unidos e Coreia do Sul, até nações emergentes como México, Turquia e o próprio Brasil — é de 1,1% a 1,3% da população adulta.

Mas, então, o que falta para o Brasil se tornar uma grande potência científica? Não é talento, inteligência ou esforço de seus cientistas. Falando com quem vive a realidade de fazer pesquisa no país, surgem algumas hipóteses.

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Escassez de orçamento para bolsas

É de se esperar que alguém que contribui para o desenvolvimento da ciência tenha meios e remuneração para tal. Mas a verdade é que boa parte dos pesquisadores brasileiros precisa tirar dinheiro do próprio bolso para arcar com seus projetos. Ainda que as grandes agências de fomento, como a Capes e o CNPq, funcionem como as grandes patrocinadoras da ciência no país, o orçamento público ao qual elas recorrem é escasso.

A oferta de bolsas de estudo ainda não está universalizada, explica Vinícius Soares, doutorando em saúde coletiva e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-graduandos): “O que isso quer dizer? Não tem bolsa para todo mundo que precisa”. De acordo com a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, a estimativa é de que cerca de 40% dos pós-graduandos que estão matriculados em mestrado e doutorado não tenham nenhum tipo de apoio.

Mesmo entre os que conseguem receber algum recurso, ele se mostra insuficiente para atender às necessidades da pesquisa. Atualmente, o valor da bolsa de estudos para pós-graduação stricto sensu, que funciona como uma espécie de salário para o pesquisador, é de R$ 2.100 para mestrado, R$ 3.100 para doutorado e entre R$ 5.200 e R$ 5.500 para pós-doutorado. Somente com uma correção da inflação, Soares afirma que o valor da bolsa de doutorado já deveria atingir a casa dos R$ 7.100.

Giovana Branco é doutoranda em ciência política na USP e especialista em política e identidade russa. Para entender mais do que encontrava nos textos, falando com as pessoas e observar eventos importantes, ela percebeu que precisaria viajar ao país que é seu objeto de estudo. E o dinheiro dessa jornada sairia do próprio bolso. Segundo ela, a ajuda de custo da universidade não cobriu nem 20% da passagem de ida.

Diferentemente da realidade de muitos pesquisadores, Giovana conta com outras fontes de renda para seguir com a elaboração de sua tese. “Eu não tive dificuldades financeiras porque eu venho de um ambiente bastante privilegiado e eu tenho total apoio para fazer pesquisa acadêmica, com ou sem a bolsa de estudos. De fato, eu reconheço que eu não tenho esse problema que muitos colegas têm”, diz.

Para Eliane Almeida, hoje doutora em mudança social e participação política pela USP, a situação era outra. Durante a maior parte do seu doutorado, ela, mulher negra vinda da periferia de Santos (SP), precisava se virar com R$ 2.200 para sustentar a si própria e a duas filhas. “Eu tinha que pagar as minhas contas de casa e fazer a manutenção da minha ida e vinda. Era um malabarismo terrível”, conta.

Logística de mergulho só se torna possível para Talita através de parcerias Reprodução/Sergio R Floeter

Os gastos de um cientista não se resumem à subsistência. É preciso adquirir material, comprar livros e equipamentos, custear viagens e pesquisas de campo. E nem sempre a estrutura ou o recurso das universidades direcionados aos projetos são suficientes. Só agora, no doutorado, Talita está recebendo algum valor para financiar sua pesquisa.

“O meu trabalho envolve mergulho, é uma logística muito cara. Para ter ideia, aqui em Florianópolis uma saída de barco custa R$ 2.500. Essa logística de coletar os dados só será possível por essa rede de pesquisa já ser bem consolidada, com muitas parcerias.”

Ainda assim, a conta não fecha. “A gente, estudante, não tem dinheiro sobrando, e a nossa bolsa é para sobreviver. Por exemplo: 60% da minha renda vai para o aluguel aqui em Florianópolis. Se não tivesse a renda do meu marido junto, era papo de passar fome”, relata.

A luta por direitos

Além de precisarem sobreviver com pouco, os pós-graduandos sequer têm sua dedicação reconhecida como trabalho. Ainda hoje, por exemplo, o tempo dedicado à pesquisa não é contado para fins de aposentadoria. Em seu mandato na ANPG, Soares diz trabalhar para mudar essa situação, mas o caminho a ser percorrido ainda é grande.

“Hoje, a gente tem um eclipse de direitos sociais para quem é pós-graduando, para quem é jovem pesquisador. E a gente fala de jovem pesquisador porque 90% da ciência brasileira é produzida no âmbito da pós-graduação. A gente está falando daquele setor que é responsável pela produção científica nacional. E, apesar de toda essa importância, a gente ainda não tem direitos trabalhistas, não tem direitos previdenciários”, afirma.

Em março deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a inclusão de bolsistas de pós-graduação no RGPS (Regime Geral de Previdência Social), após o que o presidente da ANPG classificou como “uma briga muito grande”. O texto está em análise no Senado; se for aprovado, ainda passará por sanção presidencial para poder entrar em vigor.

A lei é uma luta histórica de mais de duas décadas, reforça Francilene Garcia, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). A entidade civil, voltada para a defesa do avanço científico e tecnológico, é parte do CCT (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia), que auxilia o governo federal na definição das políticas e ações prioritárias na área.

“Esse mesmo Congresso, que não coloca recurso para agências como a Capes ou corta recursos de projetos enviados pelo Executivo, trabalha nessa outra direção. Então, parece que não existe clareza em relação a um projeto de país. Não importa se de direita, de esquerda, progressistas ou menos progressistas. A ciência acaba à revelia dessas situações e dessas ondas de discussão”, afirma.

Um exemplo dessa situação ocorreu quando a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) perdeu a primeira patente internacional da polilaminina. A substância estudada pela equipe da bióloga Tatiana Sampaio se mostrou promissora na regeneração da medula em pacientes com lesões. Mas, com os cortes de recursos sofridos entre 2015 e 2016, a universidade não conseguiu pagar as taxas necessárias e a tecnologia caiu em domínio público no exterior.

Na prática, isso permite que laboratórios estrangeiros explorem e comercializem o material “de graça”, sem pagar nada em royalties ao Brasil. “O que adianta nós, pesquisadores, estarmos tirando leite de pedra, fazendo o máximo com o mínimo que temos, e isso não ser reconhecido, e não ser nem garantido de ficar dentro do país?”, questiona Talita.

Além de usufruir de poucos direitos, muitos pós-graduados sequer conseguem trabalho fora do meio acadêmico. Eliane, que durante a vida inteira ouviu que precisava estudar para ter um bom emprego, hoje sente como se ainda não tivesse colhido os frutos de tanto esforço. “As empresas vêm dizer que eu sou superqualificada. Eu sou uma profissional sênior e, enquanto profissional sênior, eles não têm condições de pagar o que eu mereço receber”, lamenta.

Emprego incerto

Mesmo para aqueles que conseguem superar todos esses desafios, nem sempre a linha de chegada guarda uma recompensa. Eliane conta que caiu na ilusão de que, com o título de doutora em mãos, teria as portas do mundo corporativo facilmente abertas. Sua tese foi defendida em 2024 e ela permanece desempregada.

“Eu falo inglês e espanhol, tenho experiência como docente, tenho experiências internacionais, graduação, mestrado, doutorado, especialização numa linha que é sensível. Fiz tudo direitinho. Então, qual é o entrave?”, indaga, sem resposta para sua própria pergunta. “A sensação que eu tenho é que todo o estudo vale, mas não para todas as pessoas. Eu acho isso bem sintomático, sendo eu uma mulher negra.”

Além da interatividade aquém do ideal com setores de inovação na indústria privada, ainda faltam iniciativas que consigam manter os pós-graduados na pesquisa. Em 2025, menos de 11% da demanda por bolsas de pesquisa CNPq para pós-doutorado foi atendida, apesar de um aumento de solicitações. Em um país que superou a marca de 25 mil doutores formados no ano passado, menos de 1.000 bolsas foram concedidas.

Talita, por exemplo, nunca desejou sair do mundo acadêmico, mas precisou mudar de rota durante um período que a ciência brasileira foi especialmente afetada por cortes. Após atingir um ápice durante o governo Dilma Rousseff (2011-2016), o orçamento das universidades brasileiras começou a ser reduzido no mandato do presidente Michel Temer (2016-2019) e caiu ainda mais no governo Jair Bolsonaro (2019-2023).

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“No mestrado, eu não tive nenhum apoio financeiro para pesquisa, e eu estava cansada de não ter nem R$ 1, porque a gente aqui no Brasil acaba fazendo a pesquisa com o que dá e não com o que é melhor”, conta a doutoranda, que deixou de lado a ecologia para trabalhar na indústria farmacêutica durante quatro anos. “A indústria nunca foi meu sonho, foi só um meio de subsistência enquanto eu ia atrás dos meus sonhos.”

Após recusas contínuas para bolsas de doutorado fora do país, ela decidiu estudar para concurso, um caminho “fácil”, mas igualmente desafiador. “No Brasil, se você quer continuar trabalhando com pesquisa, basicamente você tem que estar dentro da universidade ou de um órgão público como pesquisador. São raras as empresas privadas que têm oportunidade para pesquisadores. Se surgisse um trabalho próspero na minha área, claro que eu gostaria de continuar. Só que a gente vai viver de bolsa até quando?”, diz.

“Eu estou com 33 anos e não tenho nada construído. Não tenho um imóvel, carro, a única coisa que eu tenho no meu nome é meu computador. Eu não construí nada que assegure o meu futuro. Tempo de carteira de trabalho eu também não tenho, porque vim do mestrado. Eu tenho só esse tempo que eu trabalhei na indústria, mas é pouquíssimo”, ressalta Talita.

A indústria também não faz parte do sonho de Giovana, que, desde o tempo da escola, alimenta o sonho de se tornar professora. “O meu objetivo sempre foi ensinar. Eu acho que eu tenho essa vontade desde pequena”, conta, com um sorriso no rosto. Em algum momento, possivelmente após um pós-doutorado, ela acredita que perseguir esse desejo vai se tornar sua prioridade.

O panorama no Brasil, no entanto, não é animador para aqueles que compartilham dessa vocação. “Hoje, o recém-doutor não sabe onde vai trabalhar”, pontua Soares. “O Brasil precisa ainda mais de doutores, mas, por exemplo, a academia não abre 25 mil vagas para professores. Então, essa equação acaba não fechando.”

Para ele, “o Estado brasileiro precisa incentivar para que o setor produtivo, econômico, não acadêmico, ou seja, a indústria, o comércio, o próprio setor público, possa absorver essa mão de obra qualificada”.

Na Rússia, pesquisa é 'feita para ser aplicada', diz Giovana Arquivo pessoal/Giovana Branco

É o que acontece na Rússia, segundo Giovana. Lá, ela diz que o cientista político é valorizado como fonte para o próprio Ministério de Relações Exteriores e que, desde o princípio, a pesquisa é feita para ser aplicada. “Ao meu ver, a gente tem um problema aqui no Brasil, que é esse descolamento entre a produção de conhecimento na academia e a prática diplomática. Isso é um problema, porque a gente está produzindo conhecimento de muita qualidade”, diz ela.

A única saída é resistir

No fim das contas, os especialistas ouvidos pela reportagem concordam em uma coisa: falta dinheiro para a ciência no Brasil para pagar os pesquisadores e garantir infraestrutura e condições adequadas de trabalho. E o cenário atual está distante das expectativas de crescimento que existiam há uma década.

Nós tivemos um período longo, que começou em 2016, com o contingenciamento do maior fundo de financiamento da ciência nacional, que é o FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico].

Denise Pires de Carvalho, presidente da Capes

As tentativas de asfixia do orçamento público à educação provocam tanta inquietação pelo fato de que, no Brasil, a sobrevivência da ciência está ancorada nele e nas instituições públicas de ensino. Mas, todos os anos, pesquisadores, docentes e estudantes são lembrados da fragilidade das verbas que abastecem um dos principais pilares da sociedade. Na prática, por não se tratar de um gasto público obrigatório, o governo tem mais liberdade de alterar o orçamento da educação. E a estrutura dos institutos de ensino do país revela que eles mexem nesse dinheiro — sem dó.

“Ter a bolsa ajuda, mas, se o laboratório não tem recurso para trabalhar, esse desenvolvimento das teses, das dissertações, vai se lentificar. Essa lentidão aconteceu durante alguns anos, infelizmente, quase uma década, na qual foram retirados recursos do sistema de ciência, tecnologia e inovação. A gente andou para trás em percentual do PIB [Produto Interno Bruto], quando a ciência deveria ter andado para frente.”

Em 1990, a China investia 0,8% de seu PIB em inovação, assim como o Brasil. Hoje, enquanto o país asiático investe 2,5% ou mais, o Brasil continuava no 0,8% em 2022, diz a presidente da Capes.

“Agora, nós estamos num processo de retomada. Voltamos para 1,2%, e o que a ciência brasileira pede é que o próximo governo leve para 2% do PIB, porque isso é o mínimo para que o Brasil se desenvolva como um país verdadeiramente soberano.”

Segundo ela, uma nação é verdadeiramente soberana quando é capaz de produzir conhecimento, mestres e doutores com qualidade e ser menos desigual. “Nós ainda somos um país com muita desigualdade social. Para gerar emprego e renda, transformar conhecimento em tecnologia, só há um caminho: ciência, ciência e ciência. E ela precisa de investimento, porque o investimento em ciência reverte em melhor qualidade de vida para a população.”

Apesar dos recursos limitados, Denise destaca algumas iniciativas criadas para incentivar a permanência de pesquisadores no país. Entre elas estão o Profix (Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Brasil), o Aurora, voltado a pós-doutorandas em período de aleitamento materno, e o MAI/DAI, que promove a integração entre programas de mestrado e doutorado e o setor produtivo, estimulando a inovação em parceria com a indústria.

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Para quem já enfrentou a burocracia, a escassez de investimentos e a busca constante por reconhecimento, a única saída é seguir em frente. À espera apenas das últimas etapas para partir rumo à Austrália em setembro, Talita se prepara para iniciar um novo capítulo em sua trajetória acadêmica. Na Rússia, Giovana pretende concluir sua pesquisa nos próximos meses e transformar a experiência em um livro.

Já Eliane, cuja jornada foi marcada por desafios e recomeços, segue firme na convicção que a acompanhou até aqui. “Todas as pedras que há no caminho, ou a gente pula, ou a gente pega e transforma em ponte. Mas desistir não é uma possibilidade.”

  • Diretora de Conteúdo Digital e Transmídia: Bia Cioffi
  • Editor executivo: Marcelo Tuvuca
  • Editora: Júlia Ramos
  • *Estagiária: Isadora Mangueira
  • Coordenação de Arte: Sabrina Cessarovice
  • Arte: Gabriela Lopes Oliveira
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