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Retrospectiva 2016
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Assassinato de crianças, execuções e violações: os crimes cometidos por policiais em 2016

Um menino de 10 anos e outro de 11 anos foram vítimas da violência do Estado em SP

News|Do R7

Ítalo foi morto a tiros na zona sul após roubar carro com um amigo
Ítalo foi morto a tiros na zona sul após roubar carro com um amigo Ítalo foi morto a tiros na zona sul após roubar carro com um amigo

O noticário policial de 2016 foi marcado por crimes cometidos pelos próprios policias. Assassinatos, perseguições e outros delitos cometidos pelos agentes do Estado ganharam destaques nos noticiários.

Uma das cenas mais dantescas do ano foi a perseguição a dois menores na zona sul de São Paulo. Na ocasião, Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira, de 10 anos, e outro menor, de 11, segundo o boletim de ocorrência, pularam o muro de um condomínio na Vila Andrade no fim da tarde do dia 2 de junho, roubaram um carro modelo Daihatsu preto e, por volta das 19h, a polícia foi acionada para acompanhar um veículo que trafegava de maneira suspeita. Na rua José Ramon Urtiza, região próxima ao Morumbi, os dois menores foram interceptados pela PM (Polícia Militar).

A versão dos militares, investigada pela Corregedoria e pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, é a de que a criança disparou três vezes contra os PMs. O menor de 11 anos que estava no carro afirmou, na primeira versão, o mesmo discurso dos policiais. Em seu segundo depoimento, porém, alegou que os agentes executaram Ítalo. No terceiro pronunciamento, o garoto alegou que ele e o amigo não estavam armados e novamente afirmou que o menor foi assassinado e que os militares “plantaram” uma arma na cena do crime. Segundo perícia, houve alterações na cena do crime

"A SSP informa que o Inquérito Policial Militar (IPM) foi concluído pela Corregedoria, sob sigilo, e encaminhado à Justiça Militar. A investigação do DHPP segue em andamento, em fase de conclusão, e o inquérito policial está no fórum com pedido de prazo."

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Na zona leste

Chacina - Grupo Caveiras da GCM de Santo André
Chacina - Grupo Caveiras da GCM de Santo André Chacina - Grupo Caveiras da GCM de Santo André

Cinco jovens desapareceram no dia 21 de outubro. Convidados para uma festa em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, os rapazes da zona leste caíram numa armadilha arquitetada pelo Guarda Civil Metropolitano de Santo André Rodrigo Gonçalves de Oliveira, de xx anos, que criou perfis falsos de mulheres no Facebook para atrai-los.

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Os corpos foram encontrados no dia 6 de novembro em uma mata em Mogi das Cruzes, cidade a pouco mais de 30 Km de Ribeirão Pires, também na Grande São Paulo. Os cinco jovens estavam em covas rasas e cobertos com cal. Cápsulas encontradas perto dos corpos foram compradas pela Polícia Militar. 

A polícia investiga se a execução tem a ver com a morte de Rodrigo Lopes Sabina, de 30 anos, também da GCM de Santo André. O guarda-civil foi morto com um tiro na nuca no dia 24 de setembro, no Jardim Ana Maria (Santo André) numa tentativa de roubo.

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Ainda na zona leste

O menor Waldik Gabriel Silva, de apenas 11 anos, foi outra vítima da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. O garoto foi baleado no dia 25 de junho na Rua Regresso Feliz, número 131, no bairro de Cidade Tiradentes. Na versão apresentada pela polícia, os guardas-civis foram avisados por motoqueiros, que não se identificaram, de um roubo. Após perseguição, os suspeitos atiraram contra a viatura, que revidou e acertou o menino. 

Na perícia, porém, a versão é contestada. A equipe constatou que no carro usado pelos suspeitos, um Chevette prata, havia apenas uma marca de tiro, a que foi efetuada pelo guarda-civil Caio Muratori e matou o menor. Os vidros do veículo dos infratores estavam fechados, o que deixa dúvidas sobre a possibilidade de um tiroteio. Além disso, nenhuma arma foi encontrada.

O GCM foi autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não tem a intenção de matar) e foi liberado dias depois do ocorrido

No interior

No dia 8 de junho, outro jovem foi vítima da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Brian Cristian Bueno da Silva, de 22 anos, foi morto com um tiro no pescoço depois de sair da FAIP (Feira Agropecuária e Industrial), em Ourinhos, cidade a 374 km da capital.

Segundo os militares, o veículo despertou a atenção, porque estava andando em zigue-zague na saída do evento. Os amigos do jovem rebatem a versão dos PMs e afirmam que Brian, que estava no banco do passageiro, colocou a mão para fora do carro e derrubou um cone de sinalização e negam qualquer imprudência ao volante.

Na versão dos amigos, os dois PMs pararam o carro e foram prontamente atendidos. Eles dizem que ao colocar as mãos para o alto, Brian foi baleado. Na versão dos policiais, o jovem “levantou as mãos bruscamente” e abriu a porta do carro. O rapaz morreu na Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos, onde foi socorrido.

10 anos depois

Outra data importante que marcou o noticiário do ano foi o dia 15 de maio, quando os ataques que pararam São Paulo completaram 10 anos. O "salve" protagonizado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) trouxe um dos períodos mais sombrios ao Estado. Muitos ataques às forças de segurança, ônibus queimados e rebeliões nos presídios fizeram a maior metrópole do País fechar suas portas.

A resposta também foi violenta. Na capital, principalmente nas periferias, e em pelo menos 30 municípios do interior e litoral, houve registro de chacina e mortes com características de execução. Cometidas por homens encapuzados, muitas das mortes tiveram a cena do crime alteradas e investigações falhas e vagarosas.

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