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Do R7

Eu devia ter uns seis ou sete anos. Quem praticava esse abuso era um amigo do meu pai. Não lembro o nome dele, mas lembro do rosto. Minha mãe trabalhava fora e meu pai, na época, era alcoólatra e recebia sempre a visita desse homem. alterado123456

Como eu era pequeno, a maior parte do tempo ficava dentro de casa e o cara se aproveitava desse momento para ir "ao banheiro”, onde os abusos aconteciam. Não havia penetração, mas sempre ele ficava esfregando o pênis em mim. Abaixava meus shorts e se esfregava em mim. Depois do ato, ele me ameaçava, o que, para uma criança, era uma sentença de morte.

“A Fé me salvou”
S., mulher, 30 anos, abusada aos nove anos de idade

Tudo começou quando eu estava brincando na rua. Na época, minha família frequentava uma igreja, pois somos cristãos protestantes. Eu tinha nove anos de idade quando o filho da zeladora da igreja, que não era cristão, me chamou para perto dele. Ele me elogiava, falava que eu era bonita e passava a mão no meu cabelo. Quando me dei conta, percebi que ele já tinha me alisado quase que por inteira.

Não falei nada para ninguém, porque eu achei que era culpada por deixar isso acontecer.

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Eu tinha nove anos…

Fiquei muito confusa, assustada, saí correndo e fui ao banheiro e me tranquei lá morrendo de vergonha e me sentindo suja. Fiquei com tanto medo e vergonha que não consegui contar para meus pais. 

Porém, esses tipos de abusos voltaram a acontecer com outras pessoas. Todos do mesmo jeito que o primeiro. Sempre algum homem ou menino da minha idade me alisava, mas eu conseguia escapar. Não falei nada para ninguém, porque eu achei que era culpada de deixar isso acontecer.

Crianças em paisagem de gelo (BBC NEWS BRASIL)
Crianças em paisagem de gelo BBC NEWS BRASIL

Eu tinha pesadelos com homens ou meninos me assediando. Se eu via um filme ou notícias sobre abusos de criança, eu me sentia mal e me culpava. Ficava com vergonha durante a minha adolescência e início da minha linda e maravilhosa juventude cristã.

O primeiro passo para minha mudança começou quando fui em um retiro da igreja voltado para cura emocional. Lá, uma das palestrantes compartilhou a história dela, de vários abusos iguais aos que eu tinha sofrido. Eu comecei a chorar de soluçar e brigar comigo mesma tentando mentir para mim mesma que não tinha acontecido nada. Porém, não consegui mais segurar. Aquilo tinha de ser exposto de alguma forma. Procurei uma conselheira em minha igreja e expus tudo, como muita vergonha.

Teste (Teste)
Teste Teste

Uma psicóloga disse que quem foi abusado uma vez pode se tornar um abusador também. Seja verbalmente, psicologicamente ou sexualmente. Com base nisso, eu comecei a ter compaixão daqueles que me abusaram. O perdão foi meu segundo passo para superar o ocorrido. Os abusos e assédios devem sim ser denunciados. Mas não com ódio no coração, porque o ódio não vai fazer justiça. Mas não com ódio no coração, porque o ódio não vai fazer justiça.

Pediu algumas vezes para que sentássemos no colo dele para ficarmos juntos vendo revistas.

Joaquim Lopes, Historiador

No topo dos prédios nas escadas havia duas portas, uma que dava acesso ao terraço e a outra porta dava acesso à máquina dos elevadores. Nós ficávamos curiosas e felizes, afinal tínhamos acesso a um lugar onde as outras crianças e por vezes nem os adultos podiam estar, mas o problema começou quando esses
mas o problema começou.

Uma psicóloga disse que quem foi abusado uma vez pode se tornar um abusador também. Seja verbalmente, psicologicamente ou sexualmente. Com base nisso, eu comecei a ter compaixão daqueles que me abusaram. O perdão foi meu segundo passo para superar o ocorrido. Os abusos e assédios devem sim ser denunciados. Mas não com ódio no coração, porque o ódio não vai fazer justiça. Mas não com ódio no coração, porque o ódio não vai fazer justiça.

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infografico
“Queria encontrá-lo, mas não para agredí-lo”
D., homem, 30 anos, abusado entre 6 e 7 anos de idade

Como eu era pequeno, a maior parte do tempo ficava dentro de casa e o cara se aproveitava desse momento para ir "ao banheiro”, onde os abusos aconteciam. Não havia penetração, mas sempre ele ficava esfregando o pênis em mim. Abaixava meus shorts e se esfregava em mim. Depois do ato, ele me ameaçava, o que, para mim, era uma sentença de morte.

Não sei por quanto tempo isso durou, mas lembro como terminou. A porta da sala tinha uma janelinha que apontava direto para o corredor, onde ficava o banheiro. A vizinha estava na direção dessa janelinha e viu o que estava acontecendo. O abuso aconteceu e, depois que ele foi embora, a vizinha veio me perguntar o que ele estava fazendo comigo e eu disse: "nada, tia". Até hoje gosto de portas com janelinhas. Me dá um pouco mais de segurança.

“A Fé me salvou”
S., mulher, 30 anos, abusada aos nove anos de idade

Tudo começou quando eu estava brincando na rua. Na época, minha família frequentava uma igreja, pois somos cristãos protestantes. Eu tinha nove anos de idade quando o filho da zeladora da igreja, que não era cristão, me chamou para perto dele. Ele me elogiava, falava que eu era bonita e passava a mão no meu cabelo. Quando me dei conta, percebi que ele já tinha me alisado quase que por inteira.

Não falei nada para ninguém, porque eu achei que era culpada por deixar isso acontecer.

Fiquei muito confusa, assustada, saí correndo e fui ao banheiro e me tranquei lá morrendo de vergonha e me sentindo suja. Fiquei com tanto medo e vergonha que não consegui contar para meus pais e nem para ninguém. Porém, esses tipos de abusos voltaram a acontecer com outras pessoas. Todos do mesmo jeito que o primeiro. Sempre algum homem ou menino da minha idade me alisava, mas eu conseguia escapar. Não falei nada para ninguém, porque eu achei que era culpada de deixar isso acontecer.

Eu mal sabia que vários sentimentos ruins prevaleceriam em meu coração e que isso atrapalharia todas as esferas de minha vida. Eu tinha medo, insegurança, baixa autoestima, rejeição, ódio, rancor e amargura. Meu medo era de acontecer de novo, então inconscientemente eu me protegia de homens. Eu me sentia feia, suja e negativa para tudo.

Uma iniciativa: Record TV

Uma iniciativa: Record TV
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Essa reportagem contou com o apoio de:
Luciana Caruso
Wagner Molina
Maryah Kay
Edição de vídeo: 7Irisfilmes
Câmera: Eduardo Bonavita
Iluminação: Vale Saig
Produção: Matheus Martins